Mangue: a lama, a parabólica e a rede

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Movimento Manguebeat surgiu em Recife, Pernambuco, no início da década de 1990. Enquanto Recife era eleita a 4ª pior cidade do mundo para se viver, um grupo de jovens queria tirar a cidade do coma, devolver-lhe o ânimo e recarregar suas baterias, promovendo um ‘circuito energético’ capaz de conectar as vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de
conceitos pop. O nome era uma analogia entre a diversidade ecológica dos mangues e a diversidade cultural de Recife. Sua imagem símbolo: uma parabólica enfiada na lama. Da lama viriam as influências locais antenadas com as vibrações globais captadas pela parabólica. O Movimento Manguebeat surgiu em torno da música, promovendo mistura entre ritmos locais,
como a ciranda e o maracatu, com influências da música pop, como o punk e o hip hop. Mas não se resume à mistura entre ritmos regionais e globais, pois seu principal mote é a diversidade, abarcando variadas manifestações. Tendo se iniciado na música, o Mangue se estendeu para outras áreas como o cinema e a moda, formando uma “cena” em Recife. O Manguebeat expressa as mudanças que vêm acontecendo na relação entre local e global, contribuindo também para repensarmos conceitos mais amplos como identidade.


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